Por que os jovens têm mais medo da IA do que seus pais?

Publicado por: FeedNews
23/08/2026 09:00:00
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Enquanto os mais velhos veem a IA com otimismo, os jovens, mesmo usando a tecnologia, demonstram maior ceticismo em relação ao futuro.
Enquanto os mais velhos veem a IA com otimismo, os jovens, mesmo usando a tecnologia, demonstram maior ceticismo em relação ao futuro.

Mesmo usando chatbots no dia a dia, jovens de 18 a 24 anos lideram o ranking de desconfiança. O motivo pode estar na falta de segurança no trabalho.

 

Jovens usam IA, mas confiam menos nela do que os mais velhos, revela pesquisa

Apesar de serem os maiores usuários de ferramentas como chatbots e assistentes virtuais, os jovens são justamente os que menos confiam no potencial positivo da inteligência artificial. Essa é a principal conclusão de uma pesquisa inédita da Public First, encomendada pelo Politico, que ouviu milhares de pessoas em diferentes faixas etárias.

 

O levantamento mostrou que jovens de 18 a 24 anos têm as atitudes mais negativas em relação à IA. Eles estão especialmente preocupados com o impacto da tecnologia na capacidade de pensar de forma independente e nas perspectivas de carreira. Ao mesmo tempo, esse mesmo grupo é o que mais utiliza chatbots para estudar, trabalhar e resolver questões pessoais – um paradoxo que chamou a atenção dos pesquisadores.

 

Por outro lado, pessoas entre 35 e 44 anos usam a IA com a mesma intensidade, mas enxergam o futuro com muito mais otimismo. Enquanto apenas 19% dos jovens acreditam que a IA vai melhorar suas capacidades pessoais e beneficiar a sociedade, entre os mais velhos esse índice sobe para 28%.

 

Estabilidade financeira pesa mais do que idade

Um dos dados mais surpreendentes da pesquisa revela que a segurança financeira é um fator determinante para a confiança em IA. Entre os entrevistados que se consideram financeiramente estáveis, 43% esperam que a tecnologia melhore sua situação econômica e contribua positivamente para a sociedade. Já entre aqueles que enfrentam dificuldades financeiras, apenas 18% compartilham dessa visão – e 51% acreditam que a IA terá impacto negativo tanto em sua vida quanto na sociedade.

 

Os autores do estudo destacam que não há uma relação causal direta entre instabilidade financeira e pessimismo em relação à IA, mas há uma tendência clara: os jovens estão entrando no mercado de trabalho e ainda não conquistaram a estabilidade profissional e financeira que as gerações mais velhas já possuem. Por isso, o medo em relação à IA se soma a incertezas já existentes, como desemprego, automação e mudanças nas carreiras.

 

O custo oculto da IA no dia a dia

Outro ponto levantado por estudos recentes é o desgaste que a IA vem causando no ambiente corporativo. Trabalhadores de escritório estão gastando até 6 horas por semana apenas supervisionando ferramentas de inteligência artificial – uma tarefa que tem gerado fadiga, irritação e até queda de produtividade. Esse fenômeno, apelidado de "babá da IA", mostra que a tecnologia ainda exige supervisão constante, o que pode explicar parte do ceticismo, especialmente entre os mais jovens, que muitas vezes acumulam funções e têm menos autonomia no trabalho.

 

Opinião do especialista Mike Nelson

"O que vemos aqui é um reflexo natural de uma geração que está vivendo na pele as transformações do mercado de trabalho. Os jovens não temem a tecnologia em si, mas o que ela representa num contexto de instabilidade. A IA não é o problema – é o catalisador de uma ansiedade que já existia. O desafio das empresas e das políticas públicas não é ensinar os jovens a usar IA, mas dar a eles segurança para crescerem com ela. Confiança se constrói com estabilidade, não só com acesso."
— Mike Nelson, especialista em inovação e futuro do trabalho. Saiba mais em www.mikenelson.com.br

 

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