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Diagnóstico avalia que houve perda relativa de influência do Brasil no país, com espaços de poder sendo ocupados por Rússia, China e Estados Unidos nas últimas décadas   O distanciamento nas relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela abriu espaço p...

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Estudo analisa impactos econômicos no Brasil da crise na Venezuela

Publicado por: Redação
30/11/2021 15:06:15
Divulgação
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Diagnóstico avalia que houve perda relativa de influência do Brasil no país, com espaços de poder sendo ocupados por Rússia, China e Estados Unidos nas últimas décadas

 

O distanciamento nas relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela abriu espaço para que potências extrarregionais, como China, Rússia e Estados Unidos, ampliassem acordos comerciais e a influência política na América o Sul. O diagnóstico foi apresentado em estudo, nesta sexta-feira (26/11), em webinar promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que considerou dados entre 1999 e 2021.

 

O estudo analisou que, com a suspensão da Venezuela no Mercosul, houve impactos negativos na balança comercial brasileira, com perdas nos fluxos de exportações, além de aumento na dívida da Venezuela ao Brasil, que soma atualmente U$ 830 milhões. Segundo a avaliação dos autores do estudo Pedro Silva Barros, Raphael Lima e Helitton Carneiro, o Brasil reduziu sua atuação na mediação regional para mitigar os efeitos da crise econômica enfrentada na Venezuela, abrindo espaço para outros países desempenharem esse papel.

 

Ainda assim, a influência brasileira se manteve na faixa de fronteira entre os dois países, especialmente no estado de Roraima. De acordo com os dados analisados, tanto as exportações formais para a Venezuela como o pequeno comércio de fronteira têm crescido significativamente nos últimos três anos. A principal razão disso seriam os recursos dos programas Bolsa Família e Auxílio Emergencial, que a população de migrantes venezuelanos também tem acesso.

 

O estudo considera ainda a piora nos indicadores econômicos da Venezuela entre 2016 e 2020. De acordo com os dados, a queda acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) atingiu o patamar negativo de 80% durante o período analisado. Seguindo a mesma tendência de agravamento, a relação dívida pública e PIB passou de 32,6%, para 121,9%. Já a inflação estimada no mesmo período saltou de 26% para 1.698.588%.

Debates

A abertura do webinar foi realizada pelo diretor Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte/Ipea), Ivan Oliveira, que reiterou a importância de contar com dados que evidenciam os impactos de ações de política externa sobre a economia brasileira. Segundo ele, a Venezuela, apesar da recente crise política e econômica, é estratégica na agenda de política externa brasileira para a América do Sul. “O estudo mostra a necessidade de se reforçar o papel de liderança do Brasil na busca por solução concertada que vise por fim à grave crise econômica, política, institucional e social na Venezuela, que tem impactos em toda a região”, avaliou.

 

O debate contou com a participação do secretário adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR), Joanisval Brito Gonçalves, que também comentou sobre a importância da relação comercial com a Venezuela e afirmou que o governo brasileiro vem oferecendo apoio, especialmente na região de fronteira, à população venezuelana em situação de vulnerabilidade. “Estamos trabalhando para contribuir no enfretamento dessa grave crise. Sabemos que ela vai passar. Os dois países mantêm vínculos históricos e vamos ampliar a integração no momento oportuno e de estabilidade econômica e social”, disse.

 

Para o pesquisador do Ipea e um dos autores do estudo, Pedro Silva Barros, o Brasil pode desenvolver novas iniciativas na agenda de política externa na região. “A desintegração comercial e a fragmentação política têm marcado a América do Sul nas últimas décadas. O Brasil precisa estar atento a esse processo e pode liderar uma agenda de reconstrução da integração regional com forte impacto positivo para o seu processo de desenvolvimento”, examinou.

 

Leia o estudo na íntegra.

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